sábado, 6 de outubro de 2007

As três peneiras
O ambiente de trabalho é aqui no primeiro mundo nossa casa, uma vez que passamos mais tempo no serviço, que com nossos amigos e familiares. Sendo assim, é melhor que façamos dele um ambiente agradável e de paz. Um dia mal no trabalho é igual a um dia a menos de vida. Uma das coisas que mais hostiliza o meio em que trabalhamos se chama fofoca e é sobre isso que eu quero falar essa semana. Para introduzir quero que leiam essa história que muito tem me ajudado a filtrar as coisas que eu quero dizer.
Olavo foi transferido de projeto, logo no primeiro dia, para fazer média com o novo chefe, saiu-se com esta:
- Chefe, o senhor nem imagina o que me contaram a respeito do Silva. Disseram que ele... - nem chegou a terminar a frase, Juliano, o chefe, interrompeu:
- Espere um pouco, Olavo, o que vai me contar já passou pelo crivo das três peneiras?
- Peneiras? Que peneiras, chefe?
- A primeira, Olavo, é da verdade. Você tem certeza de que esse fato é absolutamente verdadeiro?
- Não, não tenho, como posso saber? O que contei foi o que me contaram. Mas acho que...
- Então sua história já vazou na primeira peneira. Vamos então para a segunda peneira que a da bondade. O que vai me contar, gostaria que os outros também dissessem a seu respeito?
- Claro que não! Deus me livre chefe - diz Olavo, assustado.
- Então - continua o chefe - sua história vazou na segunda peneira.
- Vamos ver a terceira peneira, que é a da necessidade. Você acha mesmo necessário me contar esse fato ou mesmo passá-lo adiante?
- Não chefe, passando pelo crivo das três peneiras, vi que não sobrou nada do que eu iria contar - fala Olavo, surpreendido.
- Pois é claro. Já pensou como as pessoas seriam mais felizes se todos usassem essas peneiras? - diz o chefe sorrindo e continua: - Assim, na próxima vez em que surgir um boato por aí, submeta-o ao crivo das três peneiras: verdade - bondade - necessidade, antes de obedecer ao impulso de passá-lo em tom de fofoca e vire uma calúnia, porque pessoas inteligentes falam sobre idéias, pessoas comuns falam sobre coisas, pessoas medíocre falam sobre pessoas.

Histórias como essa me fazem refletir de como seria melhor se todos nós pensássemos pelo menos uma vez antes de sair por aí falando da vida de outra pessoa.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Visões de um latino no primeiro mundo.

O Brasil segundo Johns, Mikes, Scotts...
Um brasileiro na América, é o que sou... e faz algum tempo que essa verdade me acorda toda manhã. Sonhei dias atrás que estava no Brasil... O Brasil que eu conheço, não esse que eu vejo na TV daqui, não esse que os americanos imaginam existir...Isso mesmo existem dois "Brasis": o BRASIL e o BRAZIL....não seriam todos iguais? Não fossem as lentes deturpadas e os roteiristas com o poder do corte na mão, tudo poderia ser muito mais real...Um amigo se aproxima de mim, é o Mike, ele pergunta:-É verdade que no seu país as mulheres andam quase nuas pelas ruas?Eu pensei e respondi:-Em alguns lugares sim, na praia,em piscinas, como aqui também acontece...O assunto se estendeu, tomou outros rumos, mas depois eu fiquei pensando:-O que é o Brasil pra essa gente aqui...pro resto do mundo?Sempre quando alguém se refere ao meu país aqui, fala de mulher, futebol e carnaval...A impressão é que a gente não trabalha, anda pelado e joga bola o dia inteiro. Tenho que convir que em alguns lugares da terra, que Cabral diz ter descoberto, isso aconteça com certa frequencia...mas daí generalizar me deixa P...da vida.Não culpo as pessoas que vivem aqui, nem fico com raiva delas. O Brasil que elas conhecem é aquele que elas vêem na TV e infelizmente se vende essa imagem para o mundo.Nós mesmos somos culpados de sermos taxados de algumas maneiras que não merecemos, nossos filmes, nossas festas populares que o mundo transmite, são veículos de forte impacto na mente de quem assiste sem um olhar crítico. Outro dia vi um filme aqui onde o mocinho, em visita ao Brasil, vai à praia e lá se pode ver mulheres sem a parte de cima do biquíni e com macacos nos ombros...O Brazil com Z é um país sem produção industrial, sem lei, sem gente civilizada, sem nada mais a oferecer que as belas praias do Rio e sexo fácil...Nós vendemos essa fotografia, nós criamos esse desenho. Não se vê um filme aqui que mostra o Brasil que produz, que tem um povo batalhador, que luta com pouco e sempre está sorrindo mesmo vivendo pobremente num dos países mais ricos do planeta.Tenho saudades sim, não do BRAZIL, mas do BRASIL, pois sei que a minha terra ainda tem palmeiras onde canta o sabiá...Tenho saudades de ver as pessoas se cumprimentando sem se conhecer e sonhando sem motivos pra sonhar...Nostalgia momentânea que me invade sempre que estou sem nada pra fazer.Lembro-me de quando aconteceu aquele acidente aéreo onde um legacy pilotado por norte-americanos colidiu com um avião de passageiros da Gol, no céu do Brasil, A TV brasileira não falava de outra coisa.No entanto perguntei ao meu chefe o que ele achava sobre isso, ele respondeu:-Quando foi que aconteceu?Ele simplesmente não sabia do ocorrido. Fico imaginando uma situação inversa...Se um legacy brasileiro causa um acidente dessa proporção aqui, em território norte-americano, com um avião da American Airlines, no mínimo seríamos acusados de terrorismo. E talvez agora estaríamos sendo bombardeados e atacados pelo exército do "Dono-do-mundo", aí sim o Brasil seria notícia por aqui...Enquanto isso na terra do Tio Sam, dos Johns, Mikes e Scotts o "BRASIL" ainda continua sendo "BRAZIL".

Magno Assis




sexta-feira, 11 de maio de 2007

Visões de um latino no primeiro mundo.

A barreira da língua.
A minha carne está queimando no gril, mas eu não posso deixar de exercer minha profissão paralela. Permita-me apresentar, sou cozinheiro e observador. Cozinho por dinheiro e observo por prazer. Sou cozinheiro 83 horas por semana, e observador em tempo integral. Sou mais um brasileiro nos Estados Unidos.A cozinha é aberta, no meu trabalho da noite, os clientes podem ver preparando a comida ; é chato às vezes, porque a sensação de estar sendo observado não é das melhores. Mas, como tudo na vida tem dois lados, eu também posso vê-los comer e é nessas horas que o cozinheiro se torna observador.
Um casal está fazendo o pedido, eles lêem o cardápio e após alguns minutos de indecisão pedem dois pratos pra comer na casa (temos também pra levar). O casal senta e espera a comida, trocam uma meia dúzia de palavras, ela tira um notebook da maleta e abre seu email. A comida chega, eles comem sem pressa e sem palavras. Ela no computador, cuidando para que nao suje o teclado, ele olhando as costas do monitor…
Essa situação é bem comum por aqui, o que muda é a "barreira dialogal", notebooks, livros, palavras cruzadas, celulares, tv’s, iPods e tantas outras tecnologias que bloqueiam o diálogo, tanto na hora da refeição, no ponto de ônibus ou no ócio de casa. Viver no primeiro mundo tem me feito um observador mais calado. Não pelo "muro" da língua, nem da cultura. O que acontece é que as pessoas simplesmente não se falam.
Outro dia, no mesmo restaurante, uma senhora passou mais de uma hora sentada em frente ao seu acompanhante preenchendo palavras cruzadas, sem emitir um som, nem ao menos para pedir ajuda no passatempo. O casal do notebook se levanta, ela guarda o brinquedo na maleta e saem. Creio que o som do carro os impeça de conversar na volta para casa…
Minha carne queimou, não é facil ter duas profissões ao mesmo tempo. Talvez como cozinheiro eu seja um ótimo observador, ou quem sabe eu ando trabalhando demais e esteja mesmo precisando de um bom papo.
Magno Assis

segunda-feira, 30 de abril de 2007

CRONICA- CIRCO BRASIL

Imagine que o Brasil seja um grande circo...difícil de imaginar ?
No decorrer desse texto você verá que existem mais pontos em comum do que possa parecer.- Respeitável público!!!-anuncia o Presidente apresentador
- Nossa primeira atração é o show dos palhaços.Mal o apresentador fecha a boca, surgem os palhaços, por todos os lados, saltando de alegria, apesar das precárias condições do circo. São palhaços mais conhecidos pelo simples nome de povo. Povo !? Por quê ? O palhaço é aquela figura ingênua, que ri de qualquer situação e é justamente esse tipo de pessoa mais comum no nosso país circo. Pessoas que votam e não cobram, que são prejudicadas pelo sistema, mas acham graça e cujo principal papel é entreter os demais para que não vejam o que os proprietários do circo fazem nos bastidores.
- Agora vejamos um espetáculo de equilibrismo.- brada o apresentador.No palco, sem muita pompa, os equilibristas se ajeitam, comumente chamados de pais de família e donas de casa, são aqueles que "medem a água e o fubá", que equilibram as contas e parecem fazer milagre.
Temos também os animais: o leão é o imposto de renda, o elefante, pela sua lentidão, é a justiça, e o nosso circo ainda tem um personagem importado direto dos contos de fada, o Dragão, carinhosamente apelidado de Inflação, cujo domador deve ser o mais cauteloso possível, pois se trata de um animal sensível e que qualquer erro pode colocar a lona abaixo.
O circo Brasil também tem os ratos, que na calada da noite ou entre as quatro paredes de seus gabinetes comem e roubam tudo que encontram pela frente.
Mas você pode me perguntar:
-E o mágico?
O mágico?
Ah, o mágico é todo brasileiro que precisa sustentar uma família com um salário mínimo, neste circo que hoje está aqui, mas amanhã, só Deus sabe onde estará.
Magno Assis

sábado, 28 de abril de 2007


Poemas

-------Insônia-----
Olho pela janela e o sol ja se foi
Mais uma noite acordado
Eu nao posso mais dormir
Suas palavras ainda ecoam no silencio do meu quarto
Tento te esquecer
Joquei fora suas cartas
E rasquei o seu retrato
A um tempo atras
Nao muito longe daqui
Eu acreditei na gente
Era tudo o que eu pedi
Mas que pena que voce
Preferiu que fosse assim
Eu te daria ate o ceu
Se pedisse ele pra mim.
Mas agora o que restou
Foram so suas palavras
Muita coisa vc disse que eu nao queria ouvir
Como os sinos que tocam
E nao me deixam mais dormir
Sei que um dia voce
Vai olhar pra tras
E se arrepender de tudo
Devolver a minha paz
Mas ate que esse dia chegue
Meus olhos nao vou fechar
Ainda escuto sua voz
Dentro de mim a ecoar.
--MAGNO-- 27/dez/06