segunda-feira, 16 de junho de 2008

Visões de um latino no primeiro mundo.

UMA LIÇÃO DA NATUREZA

Debaixo da sombra dessa árvore, onde escrevo essas palavras forma-se uma enorme sombra... A primavera chegou, desse lado do hemisfério, trazendo de volta a luz ofuscante do sol juntamente com seu calor; elementos tão esquecidos no duro inverno do primeiro mundo.
Sol, calor, sombra... Substantivos bem familiares à nós brasileiros, latinos à espera da estação mais brasileira do ano: o verão. Além de me trazer boas lembranças, a estação quente também me faz pensar em como a natureza pode nos ensinar lições para a vida toda.
Assim que o outono começa é impossível não notar que as árvores vão perdendo as folhas devagar até ficarem completamente “peladas”, parecem até que estão mortas. No inverno as ruas ficam sem o verde e o que se vê são apenas galhos secos e alguns pinheiros compondo a paisagem. Eu disse que as árvores vão perdendo as folhas, mas na verdade não perdem, elas abrem mão da folhagem com o intuito de economizar energia.
Os dias mais curtos que antecedem o inverno aliados ao frio que vem chegando fazem com que as árvores liberem uma substância que mudam o tom de cor das folhas e elas caem, a própria natureza se encarega de tal obra. O que nossos olhos podem ver é o espetáçulo do outono multi-colorido.
A pouco mais de um mês estava tudo seco, olhe pela sua janela agora, tudo está verde de novo. As árvores que que pareciam mortas, sobreviveram ao frio e à neve para só então brotar na primavera esperando, como nós, ansiosas a chegada do verão. A mãe natureza é mesmo fenomenal, mas você deve estar se perguntando, como posso tirar disso uma lição para vida toda ?
Viaje um pouco comigo... Imagine que o inverno seja uma situação em sua vida que você deseja que passe logo, uma dificuldade, e o verão seja o que você almeja, seu objetivo.
Pense na sua vida agora como um ciclo de 4 estações, um não, vários ciclos que se repetem e se alternam. Deixe-me ser mais claro: suponhamos que você fosse uma árvore e para sobreviver à um inverno (dificuldade), você tenha que abrir mão das sua folhas. O que aconteceria, se de repente por um outono você, como árvore não quisesse que suas folhas caíssem? Pois bem é aí que eu quero chegar.
Quando aqui cheguei lembro-me que era fim do verão e tudo era tão novo pra mim que eu mal podia notar em que estação estávamos, eu só sabia que não tinha emprego e nem teria pra onde ir, depois que o help que meu amigo ofereceu vencesse o prazo. Independente do clima lá fora, dentro de mim estava por vir um inverno dos mais difícies da minha vida. Foi aí que eu aprendi, da forma mais difícil, que era necessário abrir mão das minhas folhas pra sobreviver ao clima que se aproximava. Era necessário esquecer um pouco do conforto no Brasil, da roupinha lavada e passada na mão, da comida quentinha na mesa e no horário, dos passeios de fim de semana... Era necessário se preparar para um novo ciclo de 4 estações e eu estava justamente aprendendo a viver em outono, aprendendo a fazer de tudo para economizar energia e quem sabe ficar em galhos e me fingir de morto.O outono passou, eu sofri o inverno, brotei novas folhas na primavera e estava pronto pro verão... Hoje quando estou vivendo dias difícies, sei que o verão sempre vem depois de um duro inverno.
A própria natureza se encarrega de selecionar as árvores que suportarão ao frio. O que aconteceria se plantássemos uma mangueira aqui? A natureza a mataria em pouco tempo pois sua vasta folhagem consumiria muita energia e a neve se acumalaria nas folhas levando nossa pobre mangueria ao fim...
Eu não sei qual situação você está passando neste momento, não sei se os seus dias de verão (objetivos), serão aqui ou no Brasil. Mas talvez seja hora de mudar de posição para que a luz do sol inscida sobre você. Talvez seja hora de abrir mão de suas folhas para que na primavera você brote e das suas flores nasçam frutos.
A sombra da árvore que me cobria quando comecei a escrever, já não está sobre minha cabeça. Eu continuei parado e ela se moveu, se eu quiser continuar na sombra tenho que me mover em sincronia com ela... É, eis aí mais uma licão da natureza, mas essa deixa pra outra hora. Não tenho mais tempo estou indo regar umas amizades agora...
Magno Assis

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Poesia

REENCONTROS

SEJA BEM VINDA
ESSE É MEU NOVO LAR
MUITO PRAZER
TE CONHEÇO DE ALGUM LUGAR

VOCÊ PARECE AFLITA
OLHOS PERDIDOS SEM DIREÇÃO
ACALME-SE ESTÁ FRIO
SENTE-SE AQUI E ME DIZ A RAZÃO

SEI QUE NÃO ESTA DE VOLTA
É APENAS UMA MIRAGEM
DAQUELAS QUE EU SEMPRE VEJO
CONTEMPLANDO A PAISAGEM...

BORBOLETAS SEM ASAS
CARTA SEM SELO
CORAÇÃO SEM VOCÊ
ESQUECIDO NUMA CAIXA DE GELO

SEJA BEM VINDA
ESTOU BEM OBRIGADO
SEM DOR, MAS SEM VIDA
SEM PRESENTE OU PASSADO

ESTOU DESVENDANDO A CADA DIA
OS PARÁGRAFOS SEM EXPICAÇÕES
REVISITO OS ESCOMBROS
DESINTERRO OS DRAGÕES

MUITO PRAZER
ME LEMBRO DE VOCÊ
EM ALGUM LUGAR AQUI DENTRO
VOCÊ VEIO SE ESCONDER

PRAZER EM REVÊ-LA
ME CHAME DE FORASTEIRO
MESMO SEM RUMO EU GUIO
JÁ NÃO SOU MAIS PASSAGEIRO

SEJA BEM VINDA
MAS ESTOU DE SAÍDA
ESSE É O MEU NOVO LAR
DESDE A ESPERANÇA PERDIDA
EU NÃO QUERO UM BEIJO
NÃO SUPORTO DESPEDIDA
PRAZER EM REVÊ-LA MAS ESTOU DE PARTIDA...

MGA 03/25/2007

Crônica Política

O que é isso companheiro?
Caro companheiro Luís,
Vou te chamar de Lula porque foi assim que te conheci em 1990. Eu ainda era um menino de 9 anos e você entrou em minha casa com sonhos e promessas que me encheram os olhos. Naquela ocasião, lembro me bem que o senhor estava disputando com um garotão, conhecido pelo nome de Collor. É...daquela vez não teve pra você, preferiram o bonitão de cara limpa, em vez da sua vasta barba, que diga-se de passagem, naquelea época ainda era negra. Como todos nós vimos, deu no que deu. Penso que no dia da saída do Collor o senhor olhou pela TV e disse em voz baixa: _Eu avisei à vocês...
Aí veio o do topete com o plano real e um tucano pegando carona no sucesso "realístico". Mesmo assim, vossa senhoria não desanimaste lutando bravamente em 1994. Mais uma vez, mesmo sem poder votar, acreditei no senhor mas não foi daquela vez que eu pude vê-lo subir a rampa. O Fernandinho aprovou a reeleição e o senhor foi totalmente contra, pois sabia que seria um 1998 díficil. Como previsto você não se elegeu novamente e dessa vez eu pensei que tivesse desistido, mas não, depois dos 8 anos de FHC, lá estaria de novo a esperança de um novo rumo no nosso país. Sua barba e seus cabelos já eram quase todos brancos e você parecia cansado. Eu senti que em 2002 seria sua última tentativa.
Era você de um lado e o careca do outro e nessa finalmente sua estrela, hoje apagada, brilhou mais forte. Foi uma festa só, você se lembra? O povo foi pras ruas, parecia final de copa do mundo, carros buzinando, a alegria no ar e a esperança nos olhos de brasileiros famintos de algo em que acreditar. Um ex-operário no poder, era realmente um salto. A imprensa mundial noticiou e o senhor virou até tema de escola de samba. Você se lembra?
Passada a euforia da festa era hora de colocar em prática o que a sua campanha havia prometido. Aprendemos algumas palavras como espetáculo do crescimento, bolsa família e tantas outras que sonhamos em ver acontecendo. Mas nós dois sabemos que não foi assim. E a partir daí o que se instalou no Brasil foi uma série de corrupções como nunca se viu no nosso país.
Sabe presidente, durante o seu governo eu resolvi sair do Brasil mas não te culpo por isso, na verdade eu nunca esperei que o governo resolvesse meus problemas pessoais. Mas pretendo um dia voltar e a minha família mora aí e o que vejo daqui me deixa cada dia mais desacreditado no que você me disse esses anos todos.
Desculpe se eu esteja levando pro lado pessoal o meu descontentamento, mas a cada noite que eu ligo a TV, depois de um dia de trabalho, eu vejo daqui uma nova revelação de corrupção dos membros da sua equipe. Foram caindo, e um a um os seus braços direitos. E aprendemos mais novas palavras: "Mensalão", "Caixa Dois", "Apagão Aéreo"...
Os anos estão se passando e seu discurso vai se distanciando dos princípios que Vossa Senhoria mesmo elaborou. Eu queria estar te falando em outro tom. Queria estar te parabenizando pelo governo transparente e democrático, pelo pulso firme que você estaria conduzindo esse país. Mas não posso negar o que os resultados me mostram. Não posso negar que a cada dia mais jovens deixam o Brasil em busca de uma oportunidade melhor aqui fora. Não posso negar que um trabalhador brasileiro é insultado com um salário de fome, enquanto os seus aliados carregam maletas de dinheiro e, às vezes, até cuecas de doláres.
Enfim, meu companheiro, ainda há tempo de cuidar de nosso país abra os seus olhos e faça valer o voto dos brasileiros que te colocaram aí em cima. Aprenda à assumir seus erros, em vez de dizer: "Eu não sabia de nada". Porque quem não sabia de nada era eu quando em 2002 apertei confirme no seu nome.
Atenciosamente,
Magno Assis.

Uma palavra chamada saudade

Mãe,
Hoje faz um ano e nove meses que eu estou aqui. A cada mês que se finda eu faço um balanço da minha estadia no primeiro mundo. Eu sabia que ia ser duro a saudade, e que problemas viriam, mas só sentindo hoje na pele, posso dizer: _A falta que vocês me fazem dói muito no peito, fisicamente falando...
Eu acordo a cada manhã e já logo sinto a falta de pequenos detalhes que só aprendi a dar valor aqui. O cheirinho do café fresco e o acompanhamento que nunca faltava (ora era um pão frânces com manteiga, ora era uma broa de fubá). A gente morava na cidade, mas sempre havia um pedacinho da roça na geladeira...Ái que saudades do verdadeiro queijo minas, do doce de goiaba e do pé de moleque.
Ainda sem o café sigo para o trabalho, tenho acordado atrasado quase todos os dias. Na verdade, tenho dormido bem menos do que dormia. No caminho sinto saudades das ruas de pessoas apressadas, das crianças indo pra escola á pé e da buzina do padeiro a ecoar por todo o bairro. Tudo me lembra meu cantinho, todos rostos que vejo me lembra algum conterrâneo. Outro dia podia jurar que vi um velho conhecido na rua, mas depois soube que ele nunca saiu do Brasil.
O dia se segue, a correria e o stress do trabalho me fazem esquecer um pouco da terra natal. A hora do almoço chega e o cheiro do feijão fogado na hora não vem, nem o frango com quiabo, nem a feijoada. Mais uma vez não como direito, talvez por causa da pressa ou pela falta de apetite mesmo. Tenho perdido peso, mas há amigos meus que engordaram muito, parecem outras pessoas. Cada um reage de uma forma às mundanças de cultura.
Falando em cultura, sinto falta de conhecer meus vizinhos, de pedir açúcar munido de uma caneca ou emprestar um pouco de pó de café pra um morador do lado. Não sei quem são os ocupantes da casa da frente. Eu nem os vejo, penso que se escondem do frio no inverno e do calor no verão. Sinto saudades daquele calor humano, daquela sensação de querer ajudar que nós brasileiros temos. Como eu ficava feliz quando um amigo ia colocar laje na casa e chamava os conhecidos num domingo pra ajudar. O mutirão fazia do trabalho um lazer e a gente nem via o tempo passar. Tudo isso regado a cerveja, para os que bebiam, refrigerante e comida da boa. Não se pagava por isso, mas em compensação, se eu precisasse eles estariam sempre dispostos a me estender a mão.
Viver aqui tem me ensinado muito, tem me feito ser mais humilde. Vejo gente inteligente trabalhando em empregos que só usam as mãos ou músculos. Vejo amigos com capacidade limpando vidros e banheiros. Gente que não sabia fritar um ovo, cozinhando e até ensinando. Gente que ganha a vida e não tem vergonha do que faz.
O meu dia está acabando e eu sinto falta da liberdade de ir e vir sem medo da polícia e do tempo pra mim mesmo que eu tinha no terceiro mundo. Chego em casa, mas parece que não é minha casa, tudo que está aqui dentro é meu, porém algo me diz que esse não é meu lar. Falta alguma coisa, falta você mãe, falta nós todos juntos.
Outro dia um senhor me perguntou porque resolvi viver tão longe dos meus familiares. Eu respondi que para foi a forma que eu encontrei de dar uma vida melhor para vocês aí no Brasil e para os futuros membros da nossa família. Um pouco controverso não? Você quer melhorar as condicões financeiras dos seus pais e o preço é a sua ausência física. E como eu, existem milhões de latinos que renunciaram o aconhego do lar para se aventurar no primeiro mundo. Às vezes, me pergunto: _Será que vale à pena.
Se vale a pena ou não cabe a cada um de nós julgar, porque eu já sei. Ainda que eu não leve um dólar sequer pro Brasil, o que eu levo daqui dinheiro algum pode pagar: "A oportunidade de enxergar o valor das pessoas que você ama, de saber aproveitar cada momento e os pequenos detalhes que antes pareciam tão insignificantes".
Um Abraço.
De seu filho Magno Assis.