O que é isso companheiro?
Caro companheiro Luís,
Vou te chamar de Lula porque foi assim que te conheci em 1990. Eu ainda era um menino de 9 anos e você entrou em minha casa com sonhos e promessas que me encheram os olhos. Naquela ocasião, lembro me bem que o senhor estava disputando com um garotão, conhecido pelo nome de Collor. É...daquela vez não teve pra você, preferiram o bonitão de cara limpa, em vez da sua vasta barba, que diga-se de passagem, naquelea época ainda era negra. Como todos nós vimos, deu no que deu. Penso que no dia da saída do Collor o senhor olhou pela TV e disse em voz baixa: _Eu avisei à vocês...
Aí veio o do topete com o plano real e um tucano pegando carona no sucesso "realístico". Mesmo assim, vossa senhoria não desanimaste lutando bravamente em 1994. Mais uma vez, mesmo sem poder votar, acreditei no senhor mas não foi daquela vez que eu pude vê-lo subir a rampa. O Fernandinho aprovou a reeleição e o senhor foi totalmente contra, pois sabia que seria um 1998 díficil. Como previsto você não se elegeu novamente e dessa vez eu pensei que tivesse desistido, mas não, depois dos 8 anos de FHC, lá estaria de novo a esperança de um novo rumo no nosso país. Sua barba e seus cabelos já eram quase todos brancos e você parecia cansado. Eu senti que em 2002 seria sua última tentativa.
Era você de um lado e o careca do outro e nessa finalmente sua estrela, hoje apagada, brilhou mais forte. Foi uma festa só, você se lembra? O povo foi pras ruas, parecia final de copa do mundo, carros buzinando, a alegria no ar e a esperança nos olhos de brasileiros famintos de algo em que acreditar. Um ex-operário no poder, era realmente um salto. A imprensa mundial noticiou e o senhor virou até tema de escola de samba. Você se lembra?
Passada a euforia da festa era hora de colocar em prática o que a sua campanha havia prometido. Aprendemos algumas palavras como espetáculo do crescimento, bolsa família e tantas outras que sonhamos em ver acontecendo. Mas nós dois sabemos que não foi assim. E a partir daí o que se instalou no Brasil foi uma série de corrupções como nunca se viu no nosso país.
Sabe presidente, durante o seu governo eu resolvi sair do Brasil mas não te culpo por isso, na verdade eu nunca esperei que o governo resolvesse meus problemas pessoais. Mas pretendo um dia voltar e a minha família mora aí e o que vejo daqui me deixa cada dia mais desacreditado no que você me disse esses anos todos.
Desculpe se eu esteja levando pro lado pessoal o meu descontentamento, mas a cada noite que eu ligo a TV, depois de um dia de trabalho, eu vejo daqui uma nova revelação de corrupção dos membros da sua equipe. Foram caindo, e um a um os seus braços direitos. E aprendemos mais novas palavras: "Mensalão", "Caixa Dois", "Apagão Aéreo"...
Os anos estão se passando e seu discurso vai se distanciando dos princípios que Vossa Senhoria mesmo elaborou. Eu queria estar te falando em outro tom. Queria estar te parabenizando pelo governo transparente e democrático, pelo pulso firme que você estaria conduzindo esse país. Mas não posso negar o que os resultados me mostram. Não posso negar que a cada dia mais jovens deixam o Brasil em busca de uma oportunidade melhor aqui fora. Não posso negar que um trabalhador brasileiro é insultado com um salário de fome, enquanto os seus aliados carregam maletas de dinheiro e, às vezes, até cuecas de doláres.
Enfim, meu companheiro, ainda há tempo de cuidar de nosso país abra os seus olhos e faça valer o voto dos brasileiros que te colocaram aí em cima. Aprenda à assumir seus erros, em vez de dizer: "Eu não sabia de nada". Porque quem não sabia de nada era eu quando em 2002 apertei confirme no seu nome.
Atenciosamente,
Magno Assis.
quinta-feira, 3 de abril de 2008
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